Saber alimentar e usar o caixa permitirá manter o fluxo para todos os stakeholders.

Uma corporação é um organismo vivo, como um ser humano. O corpo vive em equilíbrio constante, e, quando algum órgão deixa de cumprir suas funções, automaticamente, um esforço extra altera seu metabolismo. A continuidade desse quadro é chamada de doença. Existem órgãos vitais no corpo humano, assim como também há funções e responsabilidades primordiais para as corporações.
O coração leva sangue aos tecidos, carregando consigo oxigênio e glóbulos brancos. No ambiente corporativo, algumas pessoas o relacionam ao caixa, que permite a perenidade das empresas. Evidentemente um coração forte, que distribui sangue para todo o corpo, depende da maneira como é usado. Saber alimentar e usar o caixa permitirá manter o fluxo para todos os “stakeholders”.
O cérebro é o controlador central, que mantém o coração bombeando sangue e permite que a memória e a capacidade de pensar funcionem. O mesmo ocorre com as corporações: se a empresa está com falta de oxigênio, o dinheiro está curto, existe excesso de recursos em determinada área e falta em outra, as estratégias estão equivocadas, as relações são tensas. Provavelmente, o cérebro corporativo não está cumprindo sua função.
Os pulmões são responsáveis pela troca de oxigênio. As corporações também fazem esse processo de oxigenação quando buscam renovar, inovar, eliminar pensamentos negativos, enfim, revigorar o sangue que corre nas veias corporativas.
O estômago é o órgão que recebe a comida e a envia aos intestinos para que eles façam a digestão e a absorção de nutrientes. Se a equipe de vendas não se preocupa com a inadimplência, provavelmente faltará recurso para fazer a roda girar. Uma dieta que permita à corporação ter leveza e agilidade requer boa dose de equilíbrio para que o balanceamento e qualidade da alimentação (inovação, receita, margem e retorno) não sobrecarreguem o sistema digestivo.
Fazer o filtro adequado e direcionar investimentos são tarefas fundamentais para a sobrevivência de uma corporação, assim como os rins são responsáveis pela filtragem necessária para evitar o acúmulo de resíduos nos tecidos. A pele é o maior órgão e reveste todo o corpo. Assim também é a cultura de uma corporação, que está em todas áreas, às vezes, invisível, mas presente. Ela se estende desde o atendimento da portaria até a forma como o presidente recebe em sua sala.
A saúde de uma corporação começa no topo da pirâmide – ou, se preferir, no cérebro –, pois é nessa posição que as decisões estratégicas e táticas são tomadas. Se a corporação ainda discute, no alto escalão, horas e horas a fio, sem chegar a uma decisão de consenso, cuidado. Pode-se estar entrando em paranoia e sinalizando de forma equivocada o destino da corporação, e seu corpo diretivo e colaboradores estarão adoecendo. Sua equipe vai comprometer o caixa e agir sem pensar, pois o equilíbrio foi rompido.
Entender o funcionamento e o relacionamento dos órgãos vitais de uma corporação permite aos gestores antecipar as ações necessárias para adequar processos, preparar as pessoas e ajustar os recursos para avançar de forma saudável à próxima temporada. Uma corporação, como um corpo humano, é indivisível e dependente. Isolar áreas ou departamentos de fatos e necessidades é quase impossível. Afinal, tudo se inter-relaciona de forma autônoma, mesmo que se envie mensagens para os demais órgãos.
Envolver todos na jornada da saúde corporativa é o movimento natural, afinal as empresas são formadas por seres humanos, e nada mais saudável do que seguir esse modelo para o sucesso.
Hamilton Ibanes – Sócio da consultoria Mesa Corporate Governance
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