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Projeto social “Ação Querer Bem” PDF Imprimir E-mail
Oportunidade para crianças e adolescentes


O Projeto Social “Ação Querer Bem” iniciou suas atividades em 4 de agosto de 2008, com o objetivo de promover a assistência social a crianças e adolescentes em condições de vulnerabilidade social. A iniciativa partiu de integrantes da Associação Presbiteriana de Assistência Social – APAS, fundada em 1984.
 
Hoje, o Ação Querer Bem atende 120 crianças, com idades entre 4 e 14 anos, todas moradores da Cidade de Deus, matriculadas regularmente na rede pública de ensino. Em horário alternativo ao da escola, elas participam de atividades, de 2ª a 6ª feira, das 8h às 11h e das 13h às 16h, quando também recebem café da manhã, almoço e lanche. As atividades de apoio pedagógico abrangem aulas de ética e cidadania, inglês, informática, educação física, dança, artes e psicomotricidade. 
 
Um dos critérios para ingressar no Projeto é o compromisso dos responsáveis ou familiares em participar dos encontros do “Grupo de Pais”, do Núcleo de Apoio Psicológico – NAPS, que mensalmente discute as dificuldades das famílias, oferecendo tratamento de grupo terapêutico. 
 
Para a criação do Projeto foi aplicada, em 2007, uma pesquisa social na comunidade São Geraldo, na Cidade de Deus, próxima à Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá, sede do Querer Bem, que fica na Rua Félix Crame, 59, no Pechincha. O trabalho para identificar as necessidades e demandas sociais teve a coordenação da professora Vânia Dutra, Mestre em Serviço Social pela UERJ. A análise dos dados revelou que em 87% das famílias, as crianças não possuíam atividades culturais, educacionais ou esportivas fora do horário escolar, ficando nas ruas, à mercê da criminalidade. Esportes, informática e inglês foram as preferências dos pais e responsáveis para suas crianças.
 
Hoje, depois de um ano e 7 meses de funcionamento, o Ação Querer Bem faz um balanço positivo de seu trabalho com as crianças. Em 2009, 80 % delas obtiveram aumento no desempenho escolar, com 100 % de participação nas atividades oferecidas; 100 % aumentaram a motricidade e o conhecimento do corpo; 80 % demonstraram compreensão e exercício dos direitos e deveres, e da comunicação do inglês. E, 90 % passaram a compreender que atitudes e hábitos de higiene e alimentação saudável reduzem a incidência de doenças, enquanto 100 % melhoram a aparência física saudável.
 
Outro resultado mostra que 90 % das crianças aprenderam hábitos e desenvolveram atitudes de preservação ambiental. Um outro foco do projeto é despertar nas crianças o compromisso com a preservação do meio ambiente voltada para a qualidade de vida. 
 
Entre os pontos satisfatórios do Ação Querer Bem está o 2º lugar no 1 º Concurso Público de Projetos Sociais realizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA.
 
Também em 2009, a faixa etária foi ampliada a partir dos 4 anos de idade, adequando o projeto às reais necessidades das famílias participantes e considerando a importância de estímulos educacionais às crianças nos primeiros anos de vida. E foi criada uma turma de adolescentes, com 16 alunos que deixariam o projeto ao final de 2008, mas que sensibilizaram a direção do Querer Bem para permanecerem. 
 
O embrião do Projeto Social Ação Querer Bem nasceu do sonho do Reverendo Gilson Barbosa Gomes, então pastor da Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá, que vislumbrava uma igreja aberta diariamente à comunidade, com assistência social envolvendo crianças da vizinhança. Então, no mini-prédio anexo às dependências da Igreja, a APAS atendeu cerca de 150 crianças, durante anos, com o trabalho de voluntários em projetos como, escola de música, em parceria com alunos da Escola Villa Lobos; cursos de informática com o apoio do Programa Viva Rio; aulas de inglês e oficina de artes, além do Núcleo de Assistência Psicológica.
 
Por fim, em 2007, voluntários participantes do II Congresso de Ação Social, promovido pela Faculdade Mackenzie, decidiram buscar uma iniciativa voltada ao desenvolvimento humano das crianças e adolescentes, por meio de atividades pedagógicas, esportivas, culturais e assistenciais, em horário alternativo ao escolar, já que grande parte deles, depois da escola, ficavam sozinhos ou com parentes em suas casas.

Entre os voluntários que pensaram o Querer Bem estava a major Leila Mendes Carvalho, da PMERJ. Formada em Direito pela PUC-Rio, com especialização em Políticas Públicas de Justiça Criminal e Segurança Pública pela Universidade Federal Fluminense – UFF, a major Leila, de 39 anos, casada e mãe de dois filhos, se divide também entre o trabalho na corporação e o projeto, onde a Revista Acija foi encontrá-la para uma conversa.
 
Revista ACIJA - Quando e o que a levou a se integrar ao Projeto Ação Querer Bem?
 
Major Leila - Sou membro da Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá e de 2000 a 2004 fui uma das diretoras do Departamento de Menores, e percebi o desnível social e cultural que as crianças pobres da Cidade de Deus tinham em relação às crianças filhas dos membros da igreja. Vivi, com outros irmãos da fé, o sonho de um trabalho que assistisse as crianças durante todos os dias da semana. Como operadora do Sistema de Segurança Pública, tinha e tenho a plena convicção de que o aumento dos índices de criminalidade está intimamente relacionado a causas sociais.   

Revista ACIJA - Quais os benefícios que a APAS, por meio do Projeto “Ação Querer Bem” trouxe para essas crianças? O que destaca como a mudança mais importante na vida delas?
 
Major Leila - Através do projeto, elas passaram a ter acesso à educação, saúde, cultura e esporte. E isto, com certeza, tem contribuído para elevar a auto-estima de cada criança e adolescente. Nossa grande contribuição tem sido fazê-las perceber, que para além de sua realidade local, existe um mundo cheio de oportunidades e que elas podem e devem acreditar na concretização de seus sonhos.       

Revista ACIJA - Como o projeto é mantido? Quais os parceiros? 
 
Major Leila - É mantido pelos associados da APAS e por algumas pessoas físicas chamadas “Amigos do Bem”. Temos recebido auxílio financeiro da Hoya Corretora de Seguros, Fundação Compassion e do Trem do Corcovado. E de parceiros que nos prestam serviços: a casa de festas Brincadeira é Coisa Séria, a Lona Cultural municipal Jacob do Bandolim de Jacarepaguá, a CL Contabilidade, CDI, Publicando Arte, Escola de Natação Tubarão, Sede Campestre-AEC, Sacolão volante do Daniel e o Dr. Celso Hupsel, médico pediatra.    
 
Revista ACIJA - A experiência já serviu de modelo para outra iniciativa semelhante? 
 
Major Leila - Ainda não. Mas nossa pretensão, juntamente com a Drª Thelma (Thelma Fraga, Juíza de Direito do Fórum da Taquara), é servir de modelo para a implementação de trabalhos semelhantes em outros locais de Jacarepaguá, já que desenvolvemos uma expertise, com tecnologia social apropriada.
   
Revista ACIJA - O que a APAS necessita para ampliar o Projeto Ação Querer Bem, atendendo a mais crianças? 
 
Major Leila - Antes da ampliação do número de assistidos, precisamos garantir a manutenção da qualidade do trabalho que já desenvolvemos. Necessitamos de novos parceiros, sobretudo no empresariado de Jacarepaguá, para que possamos conquistar nossa sustentabilidade financeira. Nossa sede hoje comporta apenas as 120 crianças que já atendemos, o que se constitui em um problema estrutural de espaço. Desejamos aumentar o número de assistidos, além dos serviços que oferecemos às crianças. A Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá já se comprometeu com a ampliação do trabalho social, e se lançou à compra do terreno ao lado de nossa sede.
   
Revista ACIJA - Como chegou à ACIJA? 
 
Major Leila - Através da Drª. Thelma Fraga, Juíza de Direito Titular da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá. Ela esteve no Projeto, conhecendo de perto nossas crianças. E se apaixonou pelo trabalho e tem nos ajudado de uma forma singular. No dia 23 de fevereiro participamos com ela da 1ª Reunião da ACIJA em 2010, onde tivemos a oportunidade de falar sobre o tema Prevenção também é Segurança e da indispensável parceria entre poder público, sociedade civil organizada e empresariado. Concluímos que a melhor forma de combater a violência é interferindo diretamente na trajetória de vida destas crianças e adolescentes, assegurando-lhes a plena efetivação de seus direitos.
 
Revista ACIJA - O que resultou da reunião na Acija para o projeto? Foi proposta alguma parceria?  
 
Major Leila - Várias empresas nos abordaram, deixando seus contatos. Recebemos o apoio muito importante do Sr. Aluízio Cunha, secretário executivo da ACIJA, que nos visitou junto com o Sr. Walter Machado, da Central 24 Horas. Eles puderam comprovar a seriedade do trabalho que desenvolvemos. O Sr. Walter Machado firmou uma significativa parceria financeira, se comprometendo, juntamente com o Sr. Aluízio Cunha, através da ACIJA, a buscar novos colaboradores. Estamos abertos a toda ajuda dos que desejarem cooperar com nosso sonho de Justiça Social!


Para colaborar com o Projeto Ação Social Querer Bem:
Associação Presbiteriana de Assistência Social - APAS
Rua Félix Crame, n.º 59, Pechincha - Jacarepaguá
Cep. 22770-180 - Tel / Fax (21) 2427-4391
CNPJ 28.638.625/0001-00
Inscrição no CMDCA n.º 37/09
Inscrição no CMAS n.º 869/09
www.apas-ipj.org.br
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